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São Paulo,11/09/2026

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    Parasita: comédia e horror social em premiado thriller sul-coreano

    O ecossistema magnético e perturbador que transformou o cinema global


    Parasita: comédia e horror social em premiado thriller sul-coreano Imagem: Netflix/Divulgação

    Sabe aquele tipo de filme que entra na sua mente como uma infiltração silenciosa na parede, e, quando você se dá conta, já tomou conta da estrutura inteira? Lançado mundialmente em 2019, o filme sul-coreano Parasita faz exatamente isso. Sob a batuta cirúrgica do diretor Bong Joon-ho, a obra não pede licença; ela sutilmente desmonta o espectador ao misturar uma comédia absurdamente ácida com um suspense de roer as unhas, desenhando um retrato visceral sobre a desigualdade social e sobre os limites da natureza humana.

    A trama acompanha os Kim, uma família que sobrevive nos subsolos metafóricos e literais de Seul, dividindo o teto com a umidade e o sinal de Wi-Fi alheio. O jogo vira quando o jovem Ki-woo consegue uma oportunidade de ouro: dar aulas de inglês na suntuosa residência dos Park, uma dinastia que exala a riqueza ingênua da elite urbana. O que começa como uma dança de trapaças milimetricamente ensaiadas para empregar todo o clã subterrâneo de "parasitas" dos Kim, logo se transforma em um labirinto onde os papéis de mestre e hospedeiro se confundem perigosamente. Parasita é uma obra-prima. 


    Assistir a esse thriller psicológico tragicômico é como andar em uma montanha-russa no escuro total: você nunca sabe quando o trilho vai despencar. Parasita fez história, ao se tornar o primeiro filme de língua não inglesa a levar a estatueta de Melhor Filme no Oscar, faturando ainda os prêmios de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Internacional, além da prestigiada Palma de Ouro no Festival de Cannes. Uma verdadeira lição de como o cinema asiático consegue traduzir as feridas universais do capitalismo e da era digital com elegância visual e crueza psicológica avassaladoras.



    A enigmática e ambiciosa família Kim no filme sul-coreano “Parasita”. Imagem: divulgação 


    O CHEIRO DO PRIVILÉGIO NO HORROR ARQUITETÔNICO 👁️ 🐛


    O grande trunfo do roteiro, coescrito por Bong Joon Ho e Han Jin-won, está na forma como o espaço físico dita o destino das almas na tela. A casa dos Park, desenhada com linhas minimalistas e janelas colossais, funciona como um aquário de luxo intocável; ao passo que o porão dos Kim representa o sufoco da margem social. Essa divisão é tão orgânica, que a própria riqueza ganha uma assinatura sensorial inusitada: o "cheiro de quem anda de metrô", uma metáfora olfativa perturbadora que expõe a linha invisível — mas intransponível — que separa as classes sociais ante os desejos da natureza humana.


    Assista ao trailer oficial legendado do filme Parasita:



    Mas o melhor é que os personagens são construídos longe do maniqueísmo barato dos heróis e vilões caricatos. O patriarca Ki-taek, interpretado de forma magistral pelo veterano Song Kang-ho, encarna a resignação de uma geração engolida pela falta de perspectivas, enquanto a matriarca dos ricos, vivida por Cho Yeo-jeong, flutua em uma bolha de bondade superficial que só o dinheiro é capaz de financiar. Aparências. Quando uma reviravolta monumental rasga o meio da projeção frágil, percebemos que todos ali estão, de alguma maneira, tentando sugar os nutrientes de um sistema já falido: familiar, social, psicológico, afinal. 


    Se você procura uma produção que desafie sua inteligência ou sua capacidade de reflexão e mude o seu paladar cinematográfico, esse thriller irresistível de atmosfera "doentia" é indispensável. Ele diverte com um humor terrivelmente afiado, na mesma proporção em que evoca um desconforto profundo no estômago, no âmago, no que não se quer revelar. Terminar a sessão do filme Parasita sem passar horas digerindo cada detalhe da mise-en-scène é simplesmente impossível; o filme permanece ecoando na cabeça muito tempo depois que os créditos sobem. Como todo bom filme, é difícil de esquecer e abala nossas estruturas.


    Um adendo: desde 2020, uma série do filme estava programada para sair na HBO, mas o diretor Bong Jon-ho avisou recentemente que, por enquanto, esse plano está sendo adiado. Uma pena. 


    🍿 ONDE ASSISTIR: Netlix e Globoplay; Apple TV e Google Play (aluguel ou compra digital


    ⭐️ DESTAQUES DO ELENCO: Song Kang-hoCho Yeo-jeongChoi Woo-shikPark So-dam, e Lee Jung-eun 


    🅰️ CLASSIFICAÇÃO: 16 anos (contém violência, temas de forte impacto social e conteúdo sexual moderado)




    Ouça o áudio da Matéria





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