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São Paulo,11/09/2026

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    Preacher: um pastor entre o Céu e o inferno

    Série de terror psicológico que explora o sobrenatural completa dez anos


    Preacher: um pastor entre o Céu e o inferno Série Preacher/Divulgação Sony One

    Quando Preacher (“Pastor”, em inglês) estreou nas telas em 2016, não pediu licença; a série arrombou a porta da frente, trazendo um coquetel explosivo de sangue, poeira do Texas e água benta batizada com cinismo. Acompanhar a saga de Jesse Custer ao longo de suas quatro temporadas, até o desfecho em 2019, foi como andar em uma montanha-russa em chamas: uma experiência por vezes horripilante, deturpada, caótica, mas estranhamente reconfortante para quem busca na ficção algo além do óbvio.

    Para entender o DNA das quatro temporadas dessa heresia pop, precisamos voltar no tempo: especificamente 1995, quando o roteirista Garth Ennis e o desenhista Steve Dillon lançaram a icônica HQ homônima pela DC Comics. Traduzir aquela explosão de violência gráfica, a hecatombe do confronto entre sagrado e profano é uma dose de niilismo para a televisão parecia um milagre impossível, um sacrilégio que nenhum canal ousaria bancar. No entanto, a trindade de desenvolvedores composta por Seth Rogen, Evan Goldberg e Sam Catlin assumiu os “púlpitos” da direção e da produção executiva, agindo como alquimistas modernos ao transformar o papel impresso em um drama sobrenatural unívoco, banhado em um humor tão ácido que é capaz de corroer as ilusões mais puras.

    No epicentro desse terremoto existencial está Jesse Custer, interpretado com uma intensidade magnética por Dominic Cooper. Custer é o retrato do homem partido: um pastor com um passado sombrio que tenta, desesperadamente, costurar os retalhos de sua fé em uma igrejinha decadente no Texas. Tudo muda quando ele é possuído por Gênesis, uma entidade misteriosa nascida do acasalamento proibido entre um anjo e um demônio. Esse amálgama confere a Jesse a “Voz de Deus”, um poder incomum e avassalador que obriga qualquer um a obedecer aos seus comandos. Tal “dádiva” se revela uma cruz pesada, colocando nosso protagonista em uma encruzilhada literal entre a salvação e o abismo, entre o Céu e o inferno. 


    A TRINDADE PROFANA E A JORNADA PARA A REDENÇÃO 🔥 ⛪️ ⚔️ 


    Livro 1 de 8 da HQ Preacher (versão em português), que inspirou a aclamada série homônima 

    Nenhum homem atravessa o purgatório sozinho, e Jesse encontra sua força em uma dinâmica que funciona como uma valsa caótica de pólvora e lealdade absoluta. Ao seu lado, temos Tulip O'Hare, vivida pela cintilante Ruth Negga, uma força da natureza que equilibra uma elegância feroz com uma precisão cirúrgica para o perigo. E, fechando essa trindade profana, surge Cassidy, um vampiro irlandês centenário interpretado por Joseph Gilgun com um carisma tão devastador quanto autodestrutivo. Gilgun entrega uma atuação que é puro coração e hedonismo, transformando uma criatura da noite no amigo que todos nós gostaríamos de ter no fim do mundo (aquela sedução pop libidinosa é perigosa do universo vampiresco).

    O grande trunfo de Preacher, e que mexe profundamente com o nosso íntimo, é a sua coragem de transformar uma crise de fé em uma road trip literal. Quando Jesse descobre que Deus abandonou o Seu trono no Céu, ele não se ajoelha para chorar; calça suas botas, junta sua ex-namorada e seu melhor amigo sanguessuga, e sai pelas estradas da América para cobrar satisfações do Altíssimo. É uma analogia brilhante sobre a nossa própria jornada de busca por respostas em um mundo que, frequentemente, parece esquecido e violento. Onde a linha entre o Bem e o Mal é tão tênue quanto a fumaça de um cigarro em um bar de beira de estrada.

    Com uma sólida nota de 7,9 no IMDb, a série se despediu deixando um rastro de genialidade incompreendida e uma legião de devotos. Olhando para trás, percebemos que Preacher não foi apenas entretenimento de terror e fantasia, mas sim uma distopia aterrorizante e viciante, uma distorção que nos desafiou a zombar do sagrado para compreender o humano. Terminar essa trajetória de anjos e demônios deixa um eco no peito, e a certeza de que contemplamos uma obra que teve a audácia de “rasgar o véu do Templo”. O que se vê, nessa obra-prima inusitada, é a premissa de que a verdadeira santidade repousa no amor imperfeito daqueles que escolhem caminhar ao nosso lado, mesmo quando o mundo inteiro está desmoronando (ou literalmente em chamas). 


    🍿 Onde assistir: Amazon Prime 

    ⭐️ Destaques do elenco: Dominic Cooper (Jesse Custer), Ruth Negga (Tulip O'Hare), Joseph Gilgun (Cassidy)

    🅰️ Classificação: 18 anos (primeira e terceira temporadas, devido a conteúdo explícito, violência acentuada e humor negro); 16 anos (segunda e quarta temporadas)





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