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São Paulo,29/07/2026

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    Meu Filho Jeffrey: o retrato de um monstro pintado por seu próprio pai

    Série documental faz uma “anatomia” do serial killer Jeffrey Dahmer com sua família, testemunhas, vítimas e policiais da época dos crimes


    Meu Filho Jeffrey: o retrato de um monstro pintado por seu próprio pai “Meu Filho Jeffrey: as gravações da família Dahmer” / Amazon Prime divulgação

    “Nós, serial killers,  somos seus filhos, somos seus maridos, estamos em toda parte. E haverá mais de suas crianças mortas amanhã.” Essa é uma declaração verdadeira do assassino em série Ted Bundy, talvez o mais conhecido (e incrivelmente admirado, como Jack, O Estripador!) do mundo. Outro serial killer que ainda nos dias de hoje desperta terror e fixação é Jeffrey Dahmer: o gentil e solitário cara da fábrica de chocolates. Ninguém imaginava. Era apenas o gentil e recluso Jeffrey. Não incomodava ninguém. Esse “bom moço” originou muitos livros e séries, como o documentário Meu Filjo Jeffrey: Gravações Da Família Dahmer

    A verdade histórica é que pessoas como Jeffrey podem ser muito perigosas, e esconder do mundo inteiro, até da família e dos mais chegados, suas terríveis sombras. Em “Meu filho Jeffrey”, a novidade principal é o resgate de conversas gravadas entre o pacato e brilhante professor de Química Leonel Dahmer, e seu filho mais velho, Jeff, já na prisão por ser um serial killer conhecido como O Canibal de Milwaukee. Além disso, temos testemunhos de testemunhas oculares, amigos (supostamente), vítimas e policiais que participaram do caso. 

    Este episódio hórrido (mas muito instigante para amantes de histórias de true crime) me marcou tanto que me lembro, ainda criança, das imagens do homem alto, loiro, de calmos olhos azuis atrás de seus óculos e traços angelicais em um uniforme laranja de “O Canibal de Milwaukee”. Os crimes do serial killer de Meu Filho Jeffrey chocaram o planeta, e o seriado não atenua o quão dantescos foram os atos de Jeff. 

    CRÂNIOS E VÍSCERAS NO FREEZER E SEXO COM MORTOS E MENORES DE IDADE 😱

    Jeffrey sempre gostou de dissecar animais, desde que era um garotinho. E tinha fascínio pelas entranhas de corpos humanos, como quando estudou Medicina ao servir o Exército — sua professora ficou espantada com o interesse de Jeff em cadáveres e órgãos. Visivelmente (do seu jeito, talvez totalmente silencioso) se abalou com o divórcio dos pais; logo depois, cometeria, incólume, seu primeiro assassinato.

    Mas ele abandonou a faculdade. Depois, foi dispensado do Serviço Militar como médico por alcoolismo e por drogar (e abusar sexualmente) de seu colega de quarto. Depois, entregaram-lhe à avó. A avó não suportou os primeiros indícios de seus crimes e o chutou. Então, já tendo sido preso por 1 ano devido a abuso de um garoto de 13 anos, e em condicional, foi trabalhar em uma fábrica de chocolates e morar sozinho em um matadouro que se tornou seu apartamento. 

    A polícia mal acreditou quando finalmente as queixas dos vizinhos do prédio foram ouvidas, e bateram à porta, do “lar” de Jeffrey Dahmer, sem pedir licença. Um barril de 200ml com ácido e gestos humanos. Pedaços de cadáveres por toda parte. Até mesmo crânios e vísceras no freezer. Cabeças empalhadas como troféus. Jeffrey confessou que comia bifes de suas vítimas: em geral, homens ou meninos negros ou asiáticos, pobres e perdidos nas casas noturnas gays. Ninguém notaria, e a polícia fez pouco caso. Acreditou em “Thor”, desdenhou de denúncias, negligenciou evidências. 

    DECIFRA-ME OU LITERALMENTE VOU TE DEVORAR

    É impossível falar mais sobre a série Meu filho Jeffrey: As Gravações Da Família Dahmer. Veja por si mesmo e tente — como muita gente fez e ainda faz — “desmembrar” quem foi Jeffrey Dahmer e por que lhe habitava tamanha ferocidade. 

    Deixo aqui uma entrevista (ou pista) que Jeffrey deu, ao lado de seu pai Leonel, na prisão, onde viria a ser morto por um dos detentos. Duvido de que você desconfiaria de um cara desses, se o áudio estivesse desligado! 

    No fim, Meu Filho Jeffrey Dahmer, essa série lançada no streaming do Brasil em 2023, é escancara também a negligência para com negros no Oeste dos EUA entre os anos 1970 a 1990, e julgar pelas aparências; é sobre os limites da sanidade e a loucura silente; e a constatação de que “eles” ou “elas” podem estar em qualquer lugar, e onde menos esperamos; muitas vezes, têm vidas cotidianas comuns e socialmente irrepreensíveis. É como disse, em tom de zombaria, Ted Bundy, que veio a se tornar um astro da cultura pop. Tome cuidado para não dormir com o inimigo, ou pegar uma carona com ele. 

    🍿 Onde assistir: Amazon Prime - Paramount+

    ⭐️ Destaques do elenco: pessoas que conviveram com Jeffrey Dahmer e que o investigaram à época dos crimes 

    🅰️ Classificação: 14 anos 

     





    Ouça o áudio da Matéria





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