Seja bem-vindo
São Paulo,12/06/2026

    • A +
    • A -
    Publicidade

    “O Anjo da Morte”: biografia de Daniel Mastral é tão caça-cliques e subjetiva quanto foi o próprio Mastral

    Livro post mortem se supõe apto a “traçar o perfil completo de Mastral”, despreza narrativas sobre ex-satanistas e recorre ao mais fácil: um título apelativo e rótulos para uma personalidade e vida que remanescem misteriosas


    “O Anjo da Morte”: biografia de Daniel Mastral é tão caça-cliques e subjetiva quanto foi o próprio Mastral Capa do livro lúgubre “O Anjo da Morte”/Divulgação

    Geralmente, aqui damos dicas. Mas recomendamos o que não consumir, por outro lado, e, é claro, a decisão é totalmente sua. 


    Não vou mentir: eu nunca soube, exatamente, quem foi Marcelo Coutinho, mais conhecido como o ex-satanista Daniel Mastral (“Mastral” significa “Mestre”, e talvez remeta ao satanismo, ou à sua alegada prática de artes marciais). Isso não mudou muito após a leitura de (não se assuste com o título) Daniel Mastral: O Anjo da Morte, de Fernanda Piacentini e Tais Zavarese. Lembrando que as opiniões aqui são sobre a obra, e não as autoras em nível pessoal, mesmo que se queira entender o contrário. 


    Sem dúvida, houve muitas coisas estranhas na vida de Mastral, ou Coutinho, e acredito que de fato um vasto conteúdo foi inventado, mais que adaptado. Mas as autoras partem de um princípio inválido: “Sua narrativa carece de originalidade e apresenta tantas inconsistências quanto outras histórias de supostas conversões do satanismo ao cristianismo. Os elementos presentes nos relatos de Mastral podem ser rastreados…” e cita outros supostos ex-satanistas. Hum… quantos testemunhos de ex-pai de santos não são parecidos? Ex-maçons? Ex-dependentes químicos. Talvez porque sigam os mesmos rituais ou tenham uma vida parecida. Isso não invalida que o que Daniel Mastral exista de fato, ainda que, quem sabe, não tenha sido em sua própria pele.


    Parece mais Baudelaire (que louvava Baphomet abertamente em seus poemas): “A maior artimanha do diabo é nos convencer de que não existe”. Um desserviço no campo de batalha espiritual. Claro, fraudes há em toda parte, como floreios e exageros, mas menosprezar o inimigo de Jesus Cristo parece… não muito útil a cristãos como eu.


    Seguindo: o julgamento após a morte, ante quem não tem como se defender. Por que não escreveram o livro durante todos estes anos em que Daniel Mastral vinha eclodindo? E sua primeira esposa e primeiro filho (toroidal própria vida, dizem), já não mais entre nós, os que o conheciam há muitos anos? 


    Bem, quase toda biografia é polêmica, mas o pior é ser pretensiosa: “O mais detalhado e completo retrato da personalidade de Daniel Mastral”. Sim, minucioso, pode ser, mas não se exime de  uma série de fatos e pessoas interpretados. 


    Mastral falava em podcasts — ele adorava atenção, e falar, e explicar, e até dizer que era atleta — que seus livros eram “baseados em fatos reais”, embora passasse a impressão de ser quase tudo real. Mostrava muitas vezes um Satanás mais poderoso (e até atrativo), e seu melhor amigo às vésperas do suposto ato de tirar sua vida (por que arquivaram tão rápido?) foi, alegadamente, o satanista, que hoje se declara evangélico, Vick Vanilla. Ninguém sabe bem quem Vick Vanilla foi e é. Tudo muito complicado. 


    Mastral não usava uma cruz no pescoço, nem tinha uma tatuada. Sempre foi motivo de desconfiança — e assombro, por seus relatos. Mas, O Anjo da Morte? Tão caça-cliques quanto o próprio Daniel sempre pareceu. Tão taxativo como ele sempre quis parecer.


    Assim, eu não acho que este seja um livro muito útil, a não ser como reflexão. Julga demais. Ah, eu sei, como toda biografia, algumas mais que outras. Mas eu, mais uma vez como cristã, escuto o “não julgarás” sobre um homem que já não pode responder por si. 



    PROBLEMAS EMOCIONAIS E ESPIRITUAIS EXPLORADOS DE FORMA SENSACIONALISTA E “SANTA” 🔥 👼 


    Na capa já temos, em um fundo sangrento: “Obsessão pela morte”. Piacentini comanda um bem-sucedido canal no YouTube sobre casos policiais violentos: Exposed. Daniel Mastral e suas histórias sangrentas, é claro, atraíram a repórter e escritora — novamente, a crítica aqui não é pessoal, até porque não conheço as autoras no âmbito íntimo e psicológico. 


    Acaba que não acho que possamos, ainda e para além da “pesquisa exaustiva”, julgar Daniel Mastral, e muito menos Marcelo Coutinho, desta forma: O Anjo da Morte. Achei… desrespeitoso? Mas essa é só uma visão particular. Reunir testemunhos e alguns fatos, que repórter dedicado não pode fazer? Exaustivamente. Mas o que está no coração de uma pessoa, e o que ela viveu às escondidas, quem saberá “por completo”? Nem sempre é possível. Quase nunca, na verdade. 


    Para mim, Daniel Mastral, que era apenas Marcelo Coutinho seguirá uma incógnita. Provavelmente utilizou engodos, a fama e as redes sociais o seduziram (começou a escrever nos antológicos anos 1990). Mas veja, seu relato é bem parecido com o do ex-satanista , escritor e pastor Carlo Ribas, em muitos aspectos (que foi liberto nos anos 1990 e fazia parte de uma organização satânica e persecutória). Não encontrei contradições nos testemunhos, e no livro que os conta, do paranaense Carlo. 


    No mais, quanto ao “trabalho exaustivo de detetive e psicólogo”, deixo a quem se interessa por livros polêmicos. O livro não pode se julgar “completo” e muito menos “exato” em quase nada. Esqueceram-se de que Daniel Mastral nos avisou, acima de tudo, sobre o poder do inimigo e como ele age. Isso é o que fica. 


    Por melhores que tenham sido as intenções de Piacentini e sua colaboradora da área de saúde mental… Em minha experiência e atitude cristã, deixo a Deus o julgamento de Marcelo Coutinho e seus atos — “quem somos nós para julgar?”. É sempre bom quem fale de quão renhida é a luta entre o Bem e o Mal, e dos disfarces que o lado obscuro pode assumir — de Daniel Mastral a qualquer pessoa, em qualquer lugar, em qualquer situação. O mundo é um grande palco, é um grande e intrincado conluio de forças visíveis e invisíveis — assim eu creio.  


    “Anjo da Morte” é a alcunha — e o livro — sobre o assassino de milhares de judeus em Auschwitz, Josef Rudolf Mengele. Não derramaria tanto sangue sobre um homem que, assumidamente, tinha problemas emocionais/mentais, espirituais e um ego gigantesco. E que talvez tenha sido, ele mesmo, morto por outra pessoa. Todos nós temos alguns desses defeitos “satânicos”, não? “Todos caíram, e destituídos estão da Glória de Deus” — Bíblia Sagrada. Resta a fé na salvação unicamente por Cristo, conforme a crença dos cristãos.


    Tendo sido Daniel Mastral/Marcelo Coutinho um deles ou não. 


    Amém.

    Obs.: eu gostei muito da trilogia Nephilim de Daniel Mastral, uma fantasia que julgo (literatura podemos julgar, antes eu falava de pessoas) de boa qualidade literária; exceto, talvez, pelo excesso de estrangeirismos e de descrições. Mas vale a pena. Estranhamente, o terceiro volume sumiu de quase todos os lugares… Realmente, tudo que aspira Daniel Mastral é estranho e inacabado. 








    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.